Condominio da PAF, no. 28 Direito – Chimoio, Manica

Floresta do Monte Mabu declarada Área de Conservação Comunitária: um marco para as comunidades e a natureza em Moçambique

Parte da Floresta do Monte Mabu. Foto: José Monteiro

Desde 24 de Agosto de 2026, a Floresta do Monte Mabu é oficialmente uma Área de Conservação Comunitária (ACC). Estabelecida através do Diploma Ministerial n.º 69/2026, ao abrigo da Lei de Conservação da Biodiversidade de Moçambique, a declaração dos 9341 hectares da Área de Conservação Comunitária representa um marco importante para a protecção, a longo prazo, de uma das paisagens mais extraordinárias de Moçambique e, acima de tudo, reconhece o papel central das comunidades na sua conservação.

Excerto do Diploma Ministerial 69/2026 que declara a Área de Conservação Comunitária do Monte Mabu

A Floresta do Monte Mabu constitui uma das últimas florestas tropicais húmidas de média altitude remanescentes na África Austral. Para além de ser reconhecida como Área-Chave para a Biodiversidade (Key Biodiversity Area – KBA), Área Importante para Plantas (Important Plant Area – IPA) e integrar a Ecorregião Montanhosa do Sudeste de África (SEAMA), a importância de Mabu vai muito além da biodiversidade.

Para cerca de 15.000 pessoas que vivem em redor da floresta, Mabu é também fonte de água, meios de subsistência, cultura, identidade e história. É esta profunda relação entre as pessoas e a floresta que torna a criação da Área de Conservação Comunitária do Monte Mabu tão especial para Moçambique e para a comunidade de conservação em todo o mundo.

Membros do Comité Comunitário de Ndavo durante a uma das fases da elaboração do Plano de Uso de Terra Comunitário. Foto: José Monteiro

A contribuição da ReGeCom ao longo desta jornada tem-se concentrado no fortalecimento do papel das comunidades que, há gerações, são as guardiãs desta extraordinária floresta. Através da nossa abordagem de governação comunitária, apoiámos as comunidades no fortalecimento das suas instituições, representação, participação nos processos de tomada de decisão e na construção de uma visão colectiva para o futuro de Mabu.

A declaração formal da ACC do Monte Mabu, dois anos após a submissão oficial da proposta, é resultado de um esforço colectivo. A ReGeCom expressa a sua profunda gratidão ao Governo de Moçambique, em particular à Direcção Nacional de Florestas e Fauna Bravia (DNFFB), à Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC), ao Governo do Distrito de Lugela e ao Governo da Província da Zambézia (incluindo os membros do Comité técnico do Mabu), por terem criado as condições institucionais que tornaram esta conquista possível.

O nosso especial reconhecimento vai para a RADEZA e o WWF Moçambique, nossos parceiros de implementação. A Rainforest Trust, nosso principal e estratégico financiador. Agradecimento ao Programa PROMOVE Biodiversidade, apoiado através do BioFund, e para todas as organizações e pessoas que, directa ou indirectamente, contribuíram para alcançar este importante marco.

A declaração representa igualmente uma contribuição concreta para o compromisso de Moçambique com a meta 30×30. Mais fundamentalmente, reconhece um princípio que deve orientar cada vez mais a prática da conservação: as comunidades locais não são simplesmente beneficiárias da conservação, são guardiãs e gestoras do capital natural do qual dependem os seus meios de subsistência e o seu futuro.

Parte das lagoas naturais alimentadas pela cascata de Nangaze. Foto: José Monteiro

Declarar uma Área de Conservação Comunitária não é o fim do percurso. É o início de uma nova fase.

O próximo desafio é transformar o reconhecimento legal numa conservação efectiva e sustentável a longo prazo, reduzindo a invasão e outras pressões sobre a floresta, restaurando áreas degradadas nas margens da floresta e ao longo dos rios, fortalecendo a governação e a monitoria comunitárias e criando oportunidades económicas baseadas na natureza que contribuam para a melhoria dos meios de subsistência das comunidades locais.

Isto exigirá colaboração contínua, parcerias mais fortes e, acima de tudo, investimento estratégico nas pessoas que vivem com a Floresta de Mabu e que a protegem.

A ambição da ReGeCom é clara: um futuro em que a Floresta do Monte Mabu permaneça de pé, a sua biodiversidade prospere e as comunidades que a protegem há gerações prosperem com ela.

Parte de membros das comunidades depois do exercício da selecção de pontos de interesse para turismo. Foto: José Monteiro

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